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Tuesday, March 07, 2006

um dia na minha vida

Vocês acham que têm vidas excitantes, lá porque tão em milão, em munich ou a tirar cursos de C.S.I's, mas o que vocês deviam experimentar, uma experiência radical à brava, era um dia na minha vida.
Hoje, acordei como todos os dias as 7 da manhã, desci as escadas pra tomar o pequeno almoço, e o meu cãozinho amoroso tinha à minha espera 3 xixis, 2 cocós e um bónus - um vomitado. Fiquei feliz para o resto da manhã, desinfectei tudo, sem respirar fui ate ao frigorifico, roubei um iogurte e fui tomar o pequeno almoço para o carro, tal era o meu enjoo. É tão bom ter cães bebés que estou a pensar seriamente em laquear as trompas pra não me aparecer nada semelhante para o resto da vida.
Enfim, lá fui eu para o trabalho, de manhã tudo tranquilo, tudo se passa depois de almoço. É aqui que começa a acção. A minha directora, a Patrícia, uma miuda porreira da minha idade, é também maluquinha. Tal como eu, tb toma as bolinhas todos os dias, mas tem uma variante chamada "ataques de pânico". De vez em quando, vindo do nada, tem ataques de pânico. Começo a vê-la muito agitada, não dou 5 minutos vem uma colega minha chamar-me "A Patricia disse pra lá ires fora". Estava a Patrícia nas escadas do prédio a tremer e a chorar a dizer "vai buscar a minha mala e as chaves do carro que eu vou para o hospital JÁ". Fui a correr, cheguei as escadas e estava ainda pior, correu para a rua e eu atrás dela de mala e casaco e chaves do carro na mão. Era a miúda a tremer, na rua, a chorar ao telefone com a mãe, a dizer que ia de carro para o hospital. Sem sequer perguntar, chamei um táxi e enfiei-me la dentro com ela, rumo ao centro de saude onde trabalha a prima. O taxista era um velhote que mal percebeu que a situação era fora do vulgar, começa também ele com tremeliques e suores frios. A meio da corrida, a Patricia manda um berro e começa com espasmos e desata a chorar a dizer "não aguento mais!!! o meu coração vai rebentar!!! vou morrer!!!". O velhote passava vermelhos atrás de vermelhos, entrava por sentidos proibidos e com uma mão em punho meio parkinson gritava com ela "coragem!!! Força!!! é preciso é ter calma!!". Não sei do que é que eu tinha mais medo, se da Patricia a abrir porta do carro e saltar para a rua em andamento se do velhote ter um ataque de coração no meio da segunda circular. Lá chegámos, deram-lhe o "dardo tranquilizante" e ela lá acabou a corrida numa marquesa deitada a ver estrelas. Eu cá voltei ao trabalho.
Isto a tarde passou-se, consegui sair as 18 que é um milagre, e lá fui alegre para o metro. Encontro a minha amiga Martinha e lá fomos as 2 dondocas na conversa para o comboio. Estávamos em cima da hora e tivemos que fazer um sprint até aos 2 últimos lugares vazios na lata de sardinhas. Mal sentamos o rabo, ouvimos o seguinte anúncio: "por motivo de colhimento na zona de Santos, a circulação de comboios encontra-se suspensa.". Oh não... outro colhimento... Só em 2006 já foram 4. Que eu notasse. Que chatice, que fazer com o tempo morto, bla bla bla.... outro anúncio: "por motivo de colhimento na zona de Santos, a circulação de comboios encontra-se suspensa. A circulação efectua-se a partir de Alcântara Mar." As 300 pessoas naquele comboio mais as 150 que estavam a chegar de metro saltam de uma vez só para fora do comboio, tudo à caça de um autocarro ou de um táxi. quando chegámos aos taxis tinhamos já, sem exagero, 30 pessoas à frente. E porque fomos as primeiras a chegar. Como o cidadão português é muito educado, iam às mijas, tudo para alcântara, mas um por táxi. Ora tendo em conta que era hora de ponta e chegava um táxi de 10 em 10 minutos, 30 pessoas..... façam as contas. Fizémos amigos naquela fila. Quando chegou a nossa vez, como somos cidadãs educadas e civilizadas, perguntámos a um casal com um bebé se não queriam partilhar o taxi conosco. E assim foi, um casal de pretos, o Manuel e a Maria, com o piqueno gordo e ranhoso José Guilherme. Só a preta Maria ocupava metade do banco, o restinho era pra mim e para a Martinha e para o hiperactivo gordo e ranhoso José Guilherme, que foi o caminho todo a enfiar o dedo no meu nariz quando os macacos estavam mas é no dele.
Dizia o táxista: "Já sei, vão para Alcântara! Já lá estive 4 vezes na útima hora! Aquilo tá bonito, tá... Andam bombeiros num raio de 20 metros a apanhar bocados! Isto não há direito, podia atirar-se para a linha ao meio dia ou às 5 da manhã que não perturbava a circulação!" Ao que responde o preto Manuel "Se ainda estiver vivo vou lá e puxo-lhe as orelhas!" E aqui se estabelece um diálogo do mais puro humor negro entre um taxista e um preto, enquanto eu tinha o nariz congestionado pelo dedito gordito do piqueno José Guilherme. Vá lá, o Manuel era um porreiro e pagou-nos o táxi por termos ajudado com o carrinho do piqueno, e lá chegámos a Alcântara. Nem se via a estação, era dia de ano novo e tudo à espera do fogo de artifício. "Esquece" diz a martinha, "vou ligar ao meu padrasto que trabalha aqui, deve estar a sair e leva-nos de carro". Sim senhor, prontamente se ofereceu pra levar as meninas, apenas pediu pra esperarmos na esquina mais pestilenta e sinistra do bairro de Alcântara. Ora 2 miúdas paradas numa esquina de tal sítio, por mto bom aspecto que tivéssemos, fartámo-nos de ouvir bojardas dos habitantes de boné, brinco de vidro a imitar o diamante do beckam e calça de fato de treino. Passam 10 minutos, 20, 30 e não há meio do senhor aparecer. 50, vá lá. Demorou 50 minutos a atravessar a Av. de Ceuta em hora de ponta. "Parece que há um acidente em cada canto de Lisboa" diz ele. E, de carro virado para o Tejo, pergunta "Ora bem, cruz quebrada é na direcção da esquerda, ou da direita?". Agarrei-me ao banco, a viagem ia ser longa. O senhor, com todo o respeito, não percebia nada disto. Ouviu na rádio que havia acidente na marginal, mas decidiu "arriscar". Boa, ZÉ! 1 hora e meia depois estávamos em Algés de carro parado em bicha do pirilau a ouvir o padrasto Zé a contar anedotas "picantes". Agora imaginem um senhor muito bem posto, muito arranjado, químico de profissão, a contar anedotas "picantes". Eu já não tinha mais sorrisos amarelos, só esgares diagonais e muito fugidos para o espelho retrovisor. Comecei a pensar que secalhar esperar na estação não teria sido assim tão má ideia.
E como o post já vai sendo comprido, e a pior coisa que pode acontecer no pior dia da minha vida é vocês se fartarem a meio e não ligarem peva ao meu desabafo, fico-me por aqui. O resto da viagem foi num ápice, as anedotas passaram a reclamações contra a câmara municipal de Oeiras, depois de Cascais, mas lá cheguei ao destino. Mal saí do carro pra esperar a boleia da minha irmã desata a chover e eu sem guarda chuva, cheguei a casa e tinha o elias a chafurdar numa poça de mijo e logo a seguir a saltar-me pra cima.

Como vêem, ser eu não é fácil. Há dias assim.

1 Comments:

Blogger Unknown said...

Fique cansada só de ler... felizmente os meus animais já não me dão trabalho, só o típico trabalho... Nem o meu irmão me estafa tanto!!! =P

8:24 AM  

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